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sábado, 21 de março de 2009

Porquê António?

Sento-me no banco alto e peço uma bebida.
Mais uma, a última da noite.
Dessa ou de todas
as que poderão vir a existir.
Bebo lentamente, escorre-me pela garganta o sabor
amargo do líquido gelado.
Estou só, como sempre estive, embora
acompanhado, estou só.
A vida foge-me pelos dedos mas já não importa...
Que se lixe! Peço outra bebida e mais outra ainda,
peço todas e bebo devagar, abandonado
ao pensamento que me consome, que me devora.
Sinto calor, abro a camisa, levanto-me para sair.
Olho à volta mas só distingo névoa, fumo, vapor
de alcool. Bebido em solidão embora junto a outros
companheiros de infortúnio. Saio porta fora
para a noite escura, as pernas levam-me para longe dali,
para fora de mim.
Vou embora devagarinho, nem me despeço.
Apenas vou.
Ou me deixo ir...