domingo, 4 de maio de 2008




Para ti minha mãe...

sábado, 3 de maio de 2008

Lembrança de um amor antigo


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Folheio as páginas devagar, como se fosse toda a minha vida que precise revolver. O perfume ainda perdura dentro delas, almas gémeas, irmãs minhas tão abandonadas, desde que no seu seio deixei aquela flor, lembrança de um amor antigo, que o coração teimou em esquecer. Páginas agora relembradas, cuja fragância aspiro, já sem sofrer, sem temer que fantasmas idos voltem novamente para me assombrar. Mas hoje já nada resta. Nem perdão! Nem castigo!



quinta-feira, 1 de maio de 2008




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Meu Maio

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A todos
Que saíram às ruas
De corpo-máquina cansado,
A todos
Que imploram feriado
Às costas que a terra extenua –
Primeiro de Maio!
Meu mundo, em primaveras,
Derrete a neve com sol gaio.
Sou operário –
Este é o meu maio!
Sou camponês - Este é o meu mês.
Sou ferro –
Eis o maio que eu quero!
Sou terra –
O maio é minha era
!

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000000000000 Vladimir Maiakovski

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Façamos todos deste 1º de Maio mais um dia de luta e de resistência àqueles que nos querem silenciar, cercear na nossa liberdade, fazer abdicar dos nossos direitos. Juntos iremos conseguir! Juntos conseguiremos vencer! Um abraço solidário.

quarta-feira, 30 de abril de 2008


E assim se fez Abril !!!

terça-feira, 29 de abril de 2008

Bau de recordações

Uma luz na escuridão - foto de Miguel Lucena

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És mar revolto,
vadio
guardião de almas penadas,
torturadas,
sem abrigo e sem calor
a quem só a luz da madrugada
estende o seu manto
e acaricia
és onda que transporta nos braços,
alvoraçada a sua esperança
quando ao romper do dia
o sol aquece o espaço frio
num gesto de amor e rendição
beijas a terra fértil
amada
voltas a sonhar... a ser criança
faroleiro de almas perdidas,
meu eterno guia...

sábado, 26 de abril de 2008

Revolução

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Como casa limpa
Como chão varrido
Como porta aberta
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Como puro início
Como tempo novo
Sem mancha nem vício
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Como a voz do mar
Interior de um povo
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Como página em branco
Onde o poema emerge
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Como arquitectura
Do homem que ergue
Sua habitação
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27 de Abril de 1974
Sophia de Mello Breyner Andresen

sexta-feira, 25 de abril de 2008

Construamos hoje um Abril para o futuro!





VIVA O 25 DE ABRIL! VIVA A LIBERDADE!




quinta-feira, 24 de abril de 2008


A Revolução a caminho ...




Entusiasmo popular



Capitão Salgueiro Maia






imagem - símbolo de Abril



O povo é quem mais ordena





Cantar Abril



Militares de Abril

25 de Abril sempre !


34 anos após a revolução dos cravos, e depois de tanto se ter escrito sobre a mesma , quero também deixar aqui, hoje o meu testemunho sobre as recordações que me ficaram desse dia, que tanto me marcou e que mudou completamente a face de Portugal que definhava sob o jugo de uma ditadura caduca, fechada sobre si mesma e fortemente amparada por uma feroz polícia política.

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Em 1974 frequentava eu o ciclo preparatório em Évora, no Santa Clara, antigo convento de freiras, transformado em escola pública. O dia tinha começado de forma normal, as primeiras aulas também decorreram normalmente mas recordo que a meio da manhã já era notório um certo burburinho, uma certa desorientação e incerteza entre os professores e o pessoal auxiliar.

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Entretanto aconteceu que o Santa clara foi "invadido" por estudantes da Escola Industrial e Comercial de Évora e do Liceu Nacional de Évora. Os "grandes" , que nós mais novos tanto admirávamos começaram a distribuir panfletos e a dizer que estava a decorrer uma revolução no país para derrubar o Governo.


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Os professores foram aconselhados a mandarem os alunos para casa. Nessa tarde não haveria mais aulas. Eu desandei rápidamente para casa com o meu grupo habitual de vizinhos. As pessoas falavam umas com as outras à porta de casa, em sussurros e assustadas com a situação que, para a maioria ainda estava indefinida.


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Para nós miúdos tudo aquilo era novidade, revolução era uma palavra misteriosa mas atractiva. Pouco depois de chegar a casa chegou o meu pai, que saiu mais cedo do trabalho, correu para o ciclo para me apanhar e já o encontrou quase deserto. Levámos o resto do dia a ouvir as notícias, tentando acompanhar o desenrolar dos acontecimentos.


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O meu pai ia ficando mais descontraido, à medida que as horas avançavam. Ele tinha amigos e conhecidos que desde há muito tinham passado para o outro lado da barricada, homens corajosos que ousaram afrontar o regime ditatorial. Uns tinham caído nas malhas da PIDE, outros viviam no anonimato tentando sobreviver conforme podiam, com a ajuda de familiares e amigos.


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Nos dias que se seguiram ao 25 de Abril de 1974, fui à minha maneira inteirando-me de muitas coisas novas e que me iam fazendo sonhar com um futuro e um país diferente do que foi dado viver à geração dos meus avós e dos meus pais.


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Apesar das muitas vissicitudes, erros e excessos políticos, que ocorreram nestas últimas 3 décadas sou uma fã incondicional da Democracia, proporcionada pela revolução dos cravos. Fui aprendendo ao logo destes 34 anos a dar valor a algo que para mim é inestimável: a Liberdade.


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Liberdade que só foi possível alcançar graças aos corajosos Capitães de Abril. Graças à luta e resistência de tantos homens e mulheres anónimos do meu país. A eles eu continuarei eternamente reconhecida. Por isso digo:



25 de Abril sempre !