
Sempre que gosto
de alguém
gosto e desgosto
de mim
fico ao contrário
do mundo
dos apaixonados
ao contrário de tudo,
de todos ... até de mim .
***
Guardo no meu armário
dos sonhos
certos pesadelos
sem nexo
olho-me num espelho
convexo
remexo na gaveta
das recordações
abro um velho livro,
e arrepio-me ao tocar
no pó duma borboleta
morta pelo ciúme
de um amante tresloucado.
***
Ouço ao longe, vagamente
o queixume de algo
ou alguém
que mal diviso mas pressinto
distante a sirene de um barco
apita longamente um aviso
de uma vaga mais alterosa.
A Sul.
***
A maresia da madrugada
que ficou presa nos meus cabelos
secou ao vento agreste
que agitou o mar azul
soprando de forma poderosa
e num lamento sem fim
se acercou de mim
vindo de leste.
***
Palavras ternas e amargas
outrora ditas e escutadas
certas ou erradas
ecoam em mim
ora em poemas de doçura
ora em pensamentos de desvario
fazendo-me pensar
que o amor tanto pode ser poema
ou algema
tornando tão difícil o amar.
transformado em folhetim de ternura
ou em cruel sepultura
de desejos sufocados
por eternos enamorados.
***
Assim
sempre que gosto
de alguém
gosto e desgosto
de mim
ficando apenas só
comigo ... no fim!
Para o meu amigo R.C.
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domingo, 20 de julho de 2008
Gosto e Desgosto
Postado por
paginadora
às
21:07
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terça-feira, 14 de agosto de 2007
Promessa de ontem
O prometido é devido:
- O poema de ontem intitulado Condição
foi retirado do Diário II, que Miguel Torga
escreveu em 1943.
Postado por
paginadora
às
01:02
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Marcadores: Miguel Torga, poema
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