terça-feira, 14 de agosto de 2007

Triste e revoltada

A amizade é fundamental. Digo eu!
E o princípezinho também pensa o mesmo concerteza


Campanha da Amnistia Internacional






Como hoje estou triste e revoltada apenas vos deixo estas imagens com um grande abraço para todas/os.


Nota: Eu ainda volto a falar sobre esta postagem mas está tudo bem comigo ( não fui eu a vítima de qualquer espécie de violência, salvo aquela que os "senhores deste mundo e do outro" nos lançam todos os dias) .
Mas eu tenho a carapaça dura. Abraços.
22/08/07




Promessa de ontem

O prometido é devido:

- O poema de ontem intitulado Condição
foi retirado do Diário II, que Miguel Torga
escreveu em 1943.

Torga para sempre

Dies Irae

Apetece cantar, mas ninguém canta.
Apetece chorar, mas ninguém chora.
Um fantasma levanta
A mão do medo sobre a nossa hora.

Apetece gritar, mas ninguém grita.
Apetece fugir, mas ninguém foge.
Um fantasma limita
Todo o futuro a este dia de hoje.

Apetece morrer,mas ninguém morre.
Apetece matar, mas ninguém mata.
Um fantasma percorre
Os motins onde a alma se arrebata.

Oh! maldição do tempo em que vivemos,
Sepultura de grades cinzeladas,
Que deixam ver a vida que não temos
E as angústias paradas!

Miguel Torga in Cântico do homem

domingo, 12 de agosto de 2007

Centenário do nascimento de Miguel Torga: Homem Escritor e Poeta

O menino que nasceu faz hoje cem anos numa modesta casa na freguesia de S. Martinho de Anta não se chamava ainda Miguel Torga. Nasceu como Adolfo Correia da Rocha e conheceu desde muito cedo a vida de trabalho , aos seis anos foi mandado para o Porto como criado de servir de uma família burguesa, não gostou da servidão o menino que estava habituado à liberdade, imensidão e paz da sua terra transmontana. Aos13 anos foi enviado para o Brasil para trabalhar na fazenda de um tio. Também não gostou muito desta esperiência de trabalhar para um familiar em troca do pagamento dos seus estudos. Embora lhe ficasse grato porque era enorme a sua sede de aprender!

Regressado a Portugal o tio continuou a pagar-lhe os estudos e mais tarde em Coimbra cursou medicina e formou-se. Foi na baixa da cidade de Coimbra, onde viveu a maior parte da sua vida que abriu um consultório como médico especialista de ouvidos, nariz e garganta. Nesse consultório no intervalo das consultas ia escrevendo a sua obra. E que obra!

O Dr. Rocha só em 1934 começou a ser conhecido como Miguel Torga. Preferiu sempre editar pessoalmente as suas obras, custeando-as do seu bolso. Daí talvez a ideia de alguns o acharem solitário e sovina mas os amigos dizem que era um homem generoso, íntegro e solidário como poucos. Quem quiser conhecer um pouco mais sobre Miguel Torga pode começar por ler a sua obra de cariz autobiográfico "A Criação do Mundo". Eu conheço à muitos anos algumas obras deste transmontano rijo e amigo do mundo rural que tão bem retrata nos seus livros. O primeiro contacto foi nos bancos da escola onde hoje, infelizmente não consta dos programas escolares. Ai a Educação e a Cultura deste país!

Por hoje fico por aqui, neste pequeno texto introdutório, volto amanhã ou nos próximos dias com o mesmo tema porque a melhor homenagem que se pode fazer a Miguel Torga é ler os seus livros. É isso que agora vou fazer mas antes deixo-vos uma prenda... e um desafio. Alguém sabe em que obra se encontra este poema?Se não souberem não faz mal, da próxima vez que aqui falar de Torga eu digo. Prometo!


CONDIÇÃO


É de pedra esta triste melodia

Onde rasgo o volume do meu canto;

É dum granito negro que vigia

A pureza,maciça do meu pranto.


Dura

Solitária e cerrada,

Tem beleza e ternura,

Mas é fraga pisada ...


Fraga velha e batida

Pela dor dos almocreves e carreiros,

Só nela eu posso eternizar a vida,

Minha e dos companheiros...

Coimbra, 20 de Março de 1943
Miguel Torga



Boas leituras e...
Um abraço fraterno e solidário







Bom dia a todos



Este blog está com azar, devido a esta paginadora desastrada.Perdi posts, algumas alterações feitas fizeram com que fosse "pior a emenda que o soneto". Mas hoje é um dia especial e a palavra de ordem é TORGA.Volto mais logo se possível...

Um abraço.

sábado, 11 de agosto de 2007

Pavloviana

Animação de Alexandre Bersot
exibida no Anima Mundi

sexta-feira, 10 de agosto de 2007

Em poucas palavras

Hoje apenas vos deixo estas imagens, prometo que volto amanhã. Com mais imagens e também texto.

Para todos eu envio um abraço do tamanho do mundo .

segunda-feira, 30 de julho de 2007

Publicações

O Diário do Sul de hoje dá conta do lançamento de duas novas publicações:

- A saída recente do n.º 1 da "NOVA SÍNTESE", revista literária editada pelo Campo das Letras. A revista contém textos e contextos alusivos ao "neo-realismo". A não perder por todos os apreciadores da literatura neo-realista. Esta revista encontra-se à venda em todas as livrarias.

- Foi editado pela AMBAAL o livro de Francisco do Ó Pacheco com capa de António Carrilho, intitulado "Crónicas de Beja". Este livro agrupa textos publicados pelo autor na imprensa, ao longo de 7 anos. Análise atenta ao que foi acontecendo na região sul Alentejana.
Um abraço

Universidade sénior de Évora

No encerramento do ano lectivo 2006/2007 um grupo de alunas da Universidade Sénior leram umas quadras da autoria de Celeste Avó Charneca, imitando os Jograis. Celeste Avó Charneca tem 76 anos de idade e é considerada como a Alma da Universidade Sénior de Évora. Os meus parabéns a todos os Séniores que tão bem demonstram que "idade não é documento" e que nunca é tarde para aprender (nem para ensinar tão bela lição de vida).
As quadras foram publicadas no jornal Diário do Sul de 30-07-2007. Passo a transcrever:

Somos jovens com mais idade
Somos pessoas adultas
Andamos na Universidade
Nunca é tarde para sermos cultas.

É Universidade mista
E todos somos iguais
Já somos uma grande lista
E para o ano ainda mais.

Temos uns bons professores
E todos estamos contentes
São esses grandes senhores
Que ensinam toda esta gente.

A nossa Maria de Jesus
Coordenadora extraordinária
Que a nós todos seduz
E a nossa Carla voluntária.

É fim de ano lectivo
E vimo-nos despedir
Continuamos no activo
Para o ano queremos vir.

Só um ano não nos basta
Queremos um curso importante
Queremos a bênção da pasta
E ir ao banho na fonte.

Sabemos dizer "Bué"
A estes jovens nada escapa
Assim mesmo é que é
Respeitinho p'la nossa capa.

Viva a nossa Universidade
É de todas a maior
Onde reina a igualdade
É a Universidade Sénior.
Celeste Avó Charneca
UAU! vivam todos os estudantes da Universidade Sénior. De certeza que esta "estudantada bué de fixe" não deixa os seus créditos por mãos alheias. De fazer inveja a muitos "cursistas" famosos de outras universidades. Exemplos? Todas as universidades que têm andado nos últimos tempos nas "bocas do mundo". E mais não digo...

segunda-feira, 23 de julho de 2007

Tenho um espelho colocado na minha frente
feito de fragmentos, estilhaçado em mil pedaços
ele reflecte não a sombra do que sou agora
mas sim a imagem de outrora, do que já fui
noutra vida feita de momentos tão banais
alimentada por um caudal de força e de alento.
Já fui um rio rebelde, saindo da margem
que se comprime, espraia de novo
beijando o que a ele não pertence
e depois se deixa levar pelo vento.
Numa mente quase insana, num pensamento que flúi
vive agora a solidão repleta de saudade e de frio
vivem dias compridos e sempre iguais
porque nada é pouco, nada é demais
nesta vertigem de lamento e de vazio que me oprime.