quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

O Portugal Futuro

Aproxima-se um novo ano. Cheio de interrogações, sobre o futuro próximo dos portugueses. Há muito que não sentia o meu país assim tão triste e deprimido. Há muito que não deambulava vagarosamente pelas ruas, tentando adivinhar nos rostos anónimos que comigo se vão cruzando os diversos estados de espírito que neles habitam. Não é alegria que vislumbro na maioria dos rostos mas sim angústia e desesperança. E como poderia ser de outra forma?


Para onde quer que nos viremos só deparamos com injustiça, desemprego e miséria. O horizonte dos portugueses apresenta-se assim bastante cinzento, o que provoca nalguns uma enorme revolta pelo degradante estado a que as coisas chegaram neste triste país: ataques aos mais elementares direitos laborais dos trabalhadores, às suas condições de vida, desrespeito e falta de tacto político a lidar com questões sociais e humanas, entre outras. Noutros, infelizmente a presente situação apenas tem provocado desinteresse, apatia. Um deixar andar, que não é nada saudável num país democrático.


Não sinto uma grande esperança nos tempos que se aproximam, os ataques tem sido muitos e cerrados. Mas no fundo o português não se deixa vencer por um qualquer contratempo, sabendo no final dar sempre a volta por cima.É esse o meu desejo: Que todos nós sejamos capazes de dar a volta por cima!!! Estendo este desejo a todos os que me rodeiam, quer se encontrem perto ou longe fisicamente, a familiares, amigos, colegas de trabalho...


Sei que isso é possível, no que me diz respeito, apesar de muitas das minhas debilidades sou rija.
Apesar de tantos contratempos cá estarei em 2008, de pedra e cal. Firme como um velho sobreiro alentejano. E espero o mesmo de todos vós!


Que 2008 nos traga a justiça, a paz e a felicidade que merecemos. Que nos traga como nas palavras de Ruy Belo o Portugal Futuro, que "portugal será e lá serei feliz" e onde " tudo nele será novo desde os ramos à raiz".
Um abraço do tamanho do mundo












BOM ANO 2008

















O portugal futuro é um país
aonde o puro pássaro é possível
e sobre o leito negro do asfalto da estrada
as profundas crianças desenharão a giz
esse peixe da infância que vem na enxurrada
e me parece que se chama sável
Mas desenhem elas o que desenharem
é essa a forma do meu país
e chamem elas o que lhe chamarem
portugal será e lá serei feliz
Poderá ser pequeno como este
ter a oeste o mar e a espanha a leste
tudo nele será novo desde os ramos à raiz
À sombra dos plátanos as crianças dançarão
e na avenida que houver à beira-mar
pode o tempo mudar será verão
Gostaria de ouvir as horas do relógio da matriz
mas isso era o passado e podia ser duro
edificar sobre ele o portugal futuro
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Ruy Belo in homem de palavra (s)

sábado, 22 de dezembro de 2007




QUE
Apenas os ventos e as marés nos guiem,
Sejam nossos mestres na árdua caminhada.
Nunca sejam tolhidos os nossos passos,
Eles que nos conduzam à terra prometida.
Nada nos impeça de sonhar, seguir em frente
Seja plantada a árvore do paraíso nesta vida
Sem medo de comer a maçã dada pela serpente.
QUE
Apenas os ventos e as marés nos guiem,
Na procura insana da paz e da felicidade.
Que os nossos pés deixem na areia apenas traços,
duma presença etérea, rumo à luz, à alvorada.
Não nos procurem no percurso mais curto,
Nem na estrada por todos mais trilhada
Porque o nosso rumo será sempre o da liberdade.
Um abraço



sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

* BOAS FESTAS *






DESEJO A TODOS OS AMIGOS E VISITANTES DESTE BLOG UM FELIZ NATAL E UM BOM ANO 2008.

sábado, 8 de dezembro de 2007

ANTÓNIO RAMOS ROSA



Hoje trago até aqui um poema de António Ramos Rosa, poeta de que gosto muito. Nasceu em Faro, no ano de 1924 e tem uma vasta obra publicada, não só como poeta mas também como ensaísta e tradutor.

Foi director de várias revistas tais como a Árvore e a Cassiopeia e colaborou em diversas outras revistas e jornais. Publicou mais de 70 livros desde a década de 60, tendo ganho em 1988 o Prémio Pessoa e em 1991 o Prémio Europeu de Poesia.

Muito mais poderia dizer sobre António Ramos Rosa, mas para qualquer poeta ou escritor mais do que falar sobre ele, o importante é mesmo ler a sua obra.

Um abraço

ARTE POÉTICA


Se o poema não serve para dar o nome às coisas
outro nome e ao seu silêncio outro silêncio,
se não serve para abrir o dia
em duas metades como dois dias resplandecentes
e para dizer o que cada um quer e precisa
ou o que a si mesmo nunca disse.



Se o poema não serve para que o amigo ou a amiga
entrem nele como numa ampla esplanada
e se sentem a conversar longamente com um copo de vinho na mão
sobre as raízes do tempo ou o sabor da coragem
ou como tarda a chegar o tempo frio.



Se o poema não serve para tirar o sono a um canalha
ou a ajudar a dormir o inocente
se é inútil para o desejo e o assombro,
para a memória e para o esquecimento.



Se o poema não serve para tornar quem o lê
num fanático
que o poeta então se cale.







António Ramos Rosa in Sílex, 1980




















sábado, 1 de dezembro de 2007

Resistirei




Elas chegaram uma vez mais silenciosas, à traição infiltraram-se no meu corpo, tomaram conta de mim, de tal forma que perdi uma vez mais o controlo da situação.Vivem comigo diáriamente, acordam quando eu acordo e eu adormeço quando elas me deixam adormecer. O meu corpo deixa de me pertencer, os movimentos mais simples tornam-se bastante dolorosos, o cansaço é persistente, volta a depressão, gerando-se um ciclo vicioso de que é difícil sair.

Já deveria estar habituada mas nem todos nós conseguimos superar as crises da mesma forma. Nem sempre somos capazes de lutar com a mesma força e a mesma coragem.

Há cerca de um ano que as crises eram menos agressivas. Nos ultimos tempos vivi um pouco mais feliz, os meus dias tinham mais luz, voltei a sentir-me melhor entre os meus amigos, que anteriormente cheguei a evitar completamente, isolando-me da vida e do mundo. Mas eu sei que a família e os amigos são o meu suporte, por isso por eles e por mim vou continuar a lutar. Resistirei mesmo que nem sempre vença.





Um abraço

terça-feira, 20 de novembro de 2007

Breves palavras

Depois de quase um mês remetida ao silêncio eis-me de volta. Mas ainda não me é possível regressar com a regularidade habitual. Peço desculpa pela pobreza de post mas como ando com o ânimo muito em baixo e não tendo ainda possibilidade de escrever textos mais ou menos grandes deixo-vos algumas imagens de humor. Quanto aos meus amigos não sei mas a mim ajudam-me a aguentar e superar momentos menos bons.






Um abraço.







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Assistindo a um filme de terror






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Cyberencontros



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passageiros de 2ª ou clandestinos ?





quinta-feira, 25 de outubro de 2007

Pablo Picasso (1881-1973)


Pablo Picasso nasceu a 25 de Outubro de 1881 em Málaga (Espanha), faz hoje precisamente 126 anos. É considerado um dos maiores mestres da Arte do século XX. Na infância os seus desenhos retratavam básicamente touradas. Além de pintor foi também um notável ceramista, gravador e escultor. São milhares os trabalhos deixados por Picasso e em diversos tipos de materiais. É considerado um dos fundadores do Cubismo, um estilo de pintura em que os objectos eram analisados nas suas formas para posteriormente serem pintados, em cores de castanho monocromáticas. Considerado como um pacifista, nunca tomou partido por qualquer dos conflitos bélicos que ensombraram a época em que viveu, nomeadamente a 2ª Guerra Mundial e a Guerra Civil de Espanha. Mas o seu repúdio pela violência poderá ser encontrado ao longo da sua obra. Deixo-vos algumas das obras de Picasso, começando pela, que considero a sua obra mais emblemática - o mural Guernica - que retrata, aos olhos do pintor a cidade basca de Guernica após o bombardeamento alemão, durante a 2º Guerra Mundial. Este mural representa para muitos admiradores da obra de Picasso a revolta contra a guerra, o horror nazi,pondo a nú a brutalidade e desumanidade humanas.
































Um abraço.

sábado, 20 de outubro de 2007

Flores para ti...

Os acidentes de viação acontecem a cada segundo das nossas vidas. Estamos felizes e saudáveis e de repente o sopro da vida esvai-se de uma forma brutal, alucinante, causando dor, tristeza e uma profunda e imensa saudade a quem fica. E revolta também. Uma imensa revolta.
Para muitos de nós, os acidentes de viação são apenas números, estatísticas. Para mim esse número transformou-se de repente num rosto, num nome.
O Nuno perdeu a vida em mais um desses trágicos e brutais acidentes, era meu primo e tinha 32 anos de idade. Deixou de respirar no passado dia 18... e deixou na família e nos amigos um vazio e uma dor insuportáveis.
Peço desculpa a todos os amigos, que me tem feito chegar as suas amáveis e reconfortantes palavras mas, como é óbvio não me tem sido possível contactar convosco. Deixo-vos um abraço.
E para ti Nuno deixo estas flores. Que elas alcancem o céu e te envolvam com o seu doce perfume.
Fica bem. Fica em paz!

quarta-feira, 17 de outubro de 2007

Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza

Eu, pessoalmente não gosto muito de dias internacionais disto ou daquilo.
Acho que o dia das crianças, das mães, das mulheres, dos pais e por aí fora são ou, pelo menos deveriam ser todos os dias.
Sobre o dia internacional para a erradicação da pobreza penso que em pleno século XXI a comunidade internacional há muito tempo o deveria ter banido do calendário, isto porque a pobreza já não teria sequer razão de existir se não fosse a maldade, a corrupção e a ganância dos homens.
Mas, infelizmente a pobreza existe. Magoa e aperta os nossos corações. A pobreza vive paredes meias connosco, anda ao nosso lado, na rua, no metro, junto a uma paragem de autocarro... de mão estendida e olhar triste à porta do supermercado.
Constantemente os nossos olhos recaiem sobre ela e sentimos pena, dor, solidariedade, revolta e pensamos que é uma tremenda injustiça. Interrogamo-nos sobre o que poderemos fazer, sem ser entrar na fantochada da caridadezinha e chegamos à conclusão que podemos fazer pouco, muito pouco. Será ?
Outros passam, olham e nem sequer se importam. Eu importo-me! Só em Portugal cerca de 5% dos portugueses vivem no limiar da pobreza, por isso faço um apelo aos governantes deste país. Não esbanjem o dinheiro dos contribuintes em projectos megalómanos e pouco prioritários.
Portugal vai começar a receber dos fundos comunitários cerca de 10 MILHÕES DE EUROS POR DIA. Que ele seja canalizado para o que realmente importa, a luta contra a pobreza, contra a doença, contra o desemprego. Contra a pobreza extrema de tantos e tantos portugueses, jovens e idosos, que se sentem abandonados e a viver na marginalidade, na solidão e na miséria. Apelo a que os governantes deste país não os esqueçam.
O país e os portugueses assim o exigem!!!
















A TERRA É DE TODOS!























segunda-feira, 15 de outubro de 2007

Mais uma acha para a fogueira...

Acabou-se o Congresso do PSD. Quiçá talvez o próprio PSD. Parece que uma nova Era do PPD/PSD está a emergir.
Mas apesar de todas as calamidades vividas actualmente parece que os portugueses vão ter opurtunidade de se divertir nos tempos mais próximos.
Vem aí novamente Pedro Santana Lopes. UAU!
Daqui apelo aos meus amigos Odysseus do blogdanalga e Zé do Zé Povinho, entre outros para que não percam pitada dos próximos episódios. Trabalho não vai faltar, tenho a certeza!
Eu fico a assistir da primeira fila.

SOMOS TODOS UNS ARRUACEIROS?

Há coisas que me escapam. Ao ler, no passado fim de semana uma coluna no correio da manhã, assinada pelo jornalista Emídio Rangel pensei que:
- Ou eu não tenho andado ultimamente muito ligada à terra ou então andam a acontecer coisas tremendamente graves e nem tenho dado por elas.
Então não é que o referido senhor escreve uma pequena coluna, intitulada "Os arruaceiros", onde se mostra muito indignado pelo facto do primeiro ministro andar a ser vaiado e assobiado pelo país fora? E escreve entre outras aleivosias o seguinte: - " Que democracia é esta que permite a ofensa, o escárnio, a humilhação dos dirigentes que escolhemos, com o nosso voto [o dele evidentemente], para governar Portugal ?."
Fiquei de boca aberta mas continuei a ler, pensando para os meus botões:
- Então este senhor não é jornalista? É pois! Então não é suposto que os jornalistas, pelo menos na sua maioria defendam a liberdade de expressão e o direito à opinião? Parece que era sim!
Continuei a ler, muito devagar porque o tamanho da dita crónica embora pequeno parecia-me já grande o suficiente para me fazer subir às paredes. Logo de início o tal senhor pergunta aos leitores se " é democrático um primeiro- ministro deslocar-se oficialmente a uma escola, uma fábrica ou uma empresa e ser recebido por uma 'manifestação espontânea', com trinta ou quarenta cidadãos vindos de fora [de onde serão estes espontâneos?] que assobiam, chamam nomes ao primeiro- ministro e muitos outros mimos ... que fazem corar as pedras da calçada... Um cidadão [enquanto tal] , legitimado pela escolha dos portugueses em eleições livres [ e directas, digo eu ], chamado a ser primeiro- ministro , tem que suportar, sempre que se desloca em serviço pelo país, estas ofensas e indignidades?
XI... onde nós vamos parar!
Ao continuar a ler dei pelos culpados de tão ignominiosa acção e então comecei a rir. Hahaha...! Cá está preto no branco que os culpados são os comunistas, vejam lá, tão caladinhos que eles andam, tinham que andar a tramar alguma. Mas ao terminar a pequenissíma crónica já fiquei com uma ideia formada e pensei:
- Os comunistas sempre foram acusados de coisas horriveis, até de comer criancinhas. Eu acho que andaram e andam ainda a ser comidas demasiadas criancinhas, embora eu não tenha conhecimento que tenha recaído qualquer acusação sobre os comunistas, veja-se o caso Casa Pia, que agora vemos transformado em ocaso, mas adiante... eu pensava que a caça às bruxas já tinha terminado à muito tempo, pelos vistos não.
Quer sejam os comunistas culpados ou não eu lavo as minhas mãos. Também um grupo de trinta ou quarenta pessoas pouca mossa faz. Ou não? Eu nem sequer sou comunista, aliás não possuo qualquer cartão partidário, daí o sentir-me livre para comentar seja o que for e em que circunstância for.
Então passo desde já a pensar alto.
O senhor Rangel deve andar muito baralhado, para reagir assim tão emotivamente. As manifestações ocorridas pelo país fora, parecem-me mais concorridas e parece-me que:
- Os professores são mais que quarenta e não são todos comunistas.
- Os polícias também me parecem em maior número e não me consta que o PC tenha conseguido um maior número de filiados ultimamente, senão ninguém os calava.
- O número de funcionários públicos a entrar na mobilidade também foi mais elevado e, quanto muito manifestaram-se com o apoio dos seus sindicatos, que por enquanto ainda são constitucionalmente aceites.
- E os médicos os enfermeiros, os alunos, os seus pais? É tudo comunista, aos olhos do senhor Rangel? Penso também que os governantes, quaisquer que eles sejam, tenham ou não sido eleitos por maioria absoluta ( mas vejam-se os números da abstenção) não estão acima da lei. Qualquer governante, em qualquer país do mundo pode e deve estar exposto não só ao escrutínio dos cidadãos, como também, se for o caso estar exposto a ouvir os protestos que causa em seu redor, devido à política seguida pelo seu executivo.
Eu sei que já foi à muito tempo, talvez o senhor Rangel já nem se lembre mas a democracia nasceu, em Portugal aquando do 25 de Abril de 74.
O senhor Rangel tem o dislate de terminar a sua pequenina crónica dizendo que não percebe a razão da não intervenção dos serviços de segurança aquando da manifestação dos "arruaceiros", e que " estas permitam o seu 'teatro' ilegal e ofensivo a poucos metros do primeiro-ministro".
Já não estamos muito longe disso acontecer. Os tribunais e as prisões estão a preparar-se para pôr cá fora os seus actuais inquilinos, afim de arranjar lugar para todos os portugueses que tiverem a ousadia de discordar com o governo, com o senhor primeiro-ministro e já agora com o senhor Rangel.
O que pretenderá este senhor?
Será que como jornalista está a fazer-se a mais algum lugar de topo na televisão pública? Não creio ou não fosse a televisão e a comunicação social por si acusadas de focarem " tudo o que mexe, sem critério e sem o cuidado de interprtetar os acontecimentos".
Ou será que está apenas a manifestar a sua opinião, que é ser contrário a que os portugueses manifestem a sua?
Veja lá senhor Rangel, porque me parece que, nos tempos que correm ter opinião sobre um determinado assunto é manifestamente perigoso. Poderá dar azo à intervenção das forças policiais!
E já agora pergunto : - Quem é que tem medo de uns arruaceiros? Ainda por cima sendo aí uns trinta ou quarenta... brrr!

quinta-feira, 11 de outubro de 2007

Eu nem quero acreditar! Então não é que, para o próximo ano me vai sair a sorte grande? Pois é meus amigos !
Para o próximo ano vou ter o meu bolsinho cheio de moedas. Não, ainda talvez não seja desta que vou para a porta da igreja. Bom, nada de brincar com coisas sérias. O certo é que vou ter mais dinheiro no bolso, vou poder gastar mais uns euros em coisas absolutamente desnecessárias, como faço sempre que fujo para o supermercado do meu bairro, para a padaria ou para o talho.
D. Fátima, senhor Pedro e senhor Zé não desesperem que para o ano eu vou atacá-los em força. Vou ter um poder de compra enorme, vou ter um aumento no ordenado aí de uns ... sei lá ... 25% ? Sim é verdade, quem o disse foi o senhor engenhêro. Ai desculpem estou tão nervosa e contente que já nem escrever sei. Repito! Quem o afirmou hoje foi o senhor engenheiro, primeiro governante de Portugal. Claro que não falou em percentagens mas para bom entendedor meia palavra basta.
E como ele estava feliz e emocionado. Até eu, que sou uma empedernida fiquei com lágrimas nos olhos. Às tantas já não sabia se havia de rir ou chorar... por mais!
Meus amigos somos uns vencedores. Conseguimos estancar a hemorragia das finanças públicas. CONSEGUIMOS chegar à mágica quantia dos 3% no défice. Portanto a partir de hoje podemos dizer adeus à crise económica. Sim porque à crise de valores e de ética política, talvez a consigamos atingir lá para 2015...
Se nos esforçar-mos muito, talvez quem sabe lá para o ano... Por altura das eleições. Isto sou eu a sonhar alto. Como tenho estado doente, talvez ainda por aqui aja uns resquícios de febre. Por vezes deliro!
Bom. O certo é que, debelada a crise económica, o governo vai abrir os cordões à bolsa, vai melhorar a vida de muitos portugueses. Desculpem amigos, agora vou falar como funcionária pública que sou, à mais de 25 anos. O meu amigo e primeiro governante de Portugal, tem andado a tratar-me muito mal. Chamou-me incompetente, preguiçosa, disse cobras e lagartos de mim, enquanto funcionária pública e cidadã.
Não gostei! E como tenho pelo na venta gritei-lhe que os maus funcionários só existem quando têm maus patrões. É ou não é verdade? Agora como vou ter a minha carreira descongelada, e um ordenadito melhor, talvez o perdoe. Mas com certas e determinadas condições!!!
  • A volta imediata de tantos colegas e amigos colocados na mobilidade especial, o que como todos devem saber mais não é que um despedimento colectivo,sem justa causa e sem direito a indemnização.
  • Que seja reposto o bom nome e dignidade do funcionalismo público.
  • Que onde haja maus funcionários, corrupção, e mau desempenho nas suas actividades isso seja visto de modo a que não seja possível pagar o justo pelo pecador.
  • Que a chamada reestruturação da função pública comece pelo alto, pelos responsáveis políticos, pelos maus gestores e pelos quadros de topo, que são quem deve dar o exemplo.

Se estas condições não forem cumpridas, acho melhor não me dar o meu tão desejado aumento. Porquê? porque aí irei sentir-me mal, vou pensar que o estou a ganhar porque foram centenas de colegas e amigos meus para a mobilidade, casais com filhos menores, homens e mulheres que apesar de novos para a aposentação são já considerados velhos para arranjar outro emprego. Pessoas com muito valor e dignidade. Mas eu sei que não sou responsável pela má política laboral do governo. Disso tenho a consciência tranquila. Disso tenho a certeza, tanta como a que tenho sobre o valor, o empenho, a dedicação dos meus colegas e amigos apanhados nesta situação desesperante.

A eles eu quero aqui, uma vez mais expressar todo o meu apoio, dizer-lhes que apesar deste post ter começado em ar de brincadeira, não brinco com coisas sérias. Nem admito que ninguém brinque!

Muita coragem e beijos para todos.

terça-feira, 9 de outubro de 2007

OBA ! OBRIGADA


Cá estou eu a dançar muito feliz, à espera do Oscarino que o meu amigo J.G. do "Sino da Aldeia" me ofereceu. Como sou uma Lady também deixo a todos os meus amigos(as) da blogosfera uma prenda . Espero que gostem ... e que o seu perfume torne os nossos dias menos cinzentos. Volto em breve !!!




















UM ABRAÇO PARA TODOS E PARA CADA UM


domingo, 30 de setembro de 2007

APELO À PAZ

QUE A PAZ HABITE NO CORAÇÃO DOS HOMENS!



















































































PORQUE O MUNDO EM QUE VIVEMOS É DE TODOS!


E TÃO BELO...

sexta-feira, 28 de setembro de 2007

Mensagem (Fernando Pessoa)

Ninguém sabe que coisa quer.


Ninguém conhece que alma tem,


Nem o que é mal, nem o que é bem.


(Que ânsia distante perto chora?)


Tudo é incerto e derradeiro.


Tudo é disperso, nada é inteiro.


Ó Portugal, hoje és nevoeiro...











É a Hora!










O pessimismo que actualmente sinto em Portugal, está bem retratado nesta última frase deste poema de Pessoa "... Ó Portugal, hoje és nevoeiro...". Mas o poeta místico e sonhador do Quinto Império acrescenta que: "É a Hora!". Eu também concordo que É A HORA.







Um abraço e desejos de bom-fim de-semana!


quarta-feira, 26 de setembro de 2007

Para olhar com o coração


























































































































































































































































































































































Baú de recordações III

Nota:

Os dois pequenos textos que se seguem, já tinham sido aqui publicado por mim, sob o título Baú de Recordações II no dia 15 de Julho. Devido a problemas técnicos (meus), tiveram que ser retirados e são publicados novamente hoje. As minhas desculpas pelo meu mau desempenho informático. Terei que ponderar a minha inscrição, ou não no programa Novas Oportunidades, afim de melhorar a minha performance tecnológica.
Quero espaço, sol e ar
vendaval ou acalmia
cheirar e sentir o mar
plantar em terra bravia.
Quero espaço, sol e ar
ficar onde a semente floresça
quero viver e respirar
onde só a vida aconteça.
Um abraço

Houve riso e houve espanto
Houve alegria e quimera
Houve esperança num novo dia
Quando Abril foi primavera.
Depois as flores murcharam
Num outono de desilusão
E todos os sonhadores ficaram
Perdidos, sem nada na mão.

segunda-feira, 24 de setembro de 2007

Há tanto mar







Há tanto mar a descobrir,
eu aqui à espera
neste sonho enevoado.
Marinheiro sem porto
e sem regresso,
marinheiro da esperança,
porta-voz da quimera.
Em que cada instante
sinto, reconheço
todo um mar revolto e agitado.




Interrogação



Sigo a vida ou sou seguida?

Encontro-me ou estou perdida?

Estou algures ou em parte incerta?

Ando às voltas ou em linha recta?

Mel e Fel











Existem palavras, que se comem inteiras


cada uma delas com sabor, a mel.


Existem outras que, embora verdadeiras


deixam na boca o amargo do fel.

O Carteiro


Lá vem o carteiro com seu ar prazenteiro, distribuir o correio. De mala ao ombro, mil segredos ela esconde. Na mão transporta cartas de amor, de penhor, de desamor, de alegria, de tristeza, igualmente a boa nova de um nascimento, ou de uma triste notícia.
A paixão de um grande amor ou a decadência de uma relação, já sem solução. Também se juntam na mesma mala os amigos e os inimigos. Ai se a mala falasse! De certo contaria, talvez fizesse do carteiro o seu confidente. E daí para a frente se estabelecesse um diálogo entre o carteiro e a sua mala:
- Como estava hoje a D. Maria, a moradora do nº 8, da rua da Alegria? Bem disposta? Ela sorriu para o envelope? de certo agradou-lhe o remetente! Boas novas, boas novas. Estou mais aliviada. Ufa ainda tenho o espaço muito preenchido, preciso que entregues mais umas cartas. E se fores já entregar àquele senhor velhote, que vive sózinho, para ele ficar mais animado? E não te esqueças de perguntar pela saúde dele, como vês somos nós os dois os únicos que o visitamos e as horas custam muito a passar para quem não tem ninguém, e aquela jovem que está sempre à janela esperando por nós, se calhar espera por notícias de amor.
- Mala amiga e minha única companhia, não achas que estás a ser um pouco indiscreta? A nossa missão é apenas a de entregar as cartas na morada certa.

- Pois, pois dizes bem na morada certa, agora não te distraias, ainda trocas a correspondência e depois é que são elas.

- Descansa que eu estou atento, além disso eu conheço já os moradores da zona. Estou a ficar um pouco cansado, já andei tanto...

- Queres um conselho? vai levar já o correio à tasquinha da esquina, sempre podes fazer uma pausa e beber um refresco para ficares com mais energia.

- Boa ideia, boa ideia. Quando queres és minha amiga. Claro que eu também o sou, não te sentes mais livre?

- Claro que respiro melhor. Dá para perceber que vais perto de um jardim. Cheira tão bem a flores e até se ouvem os passarinhos... como é bela a vida ao ar livre não achas?

-Tu dizes isso porque não te lembras de quando está a chover, ou a fazer um grande frio, com muito vento e que te custo a carregar, fico sempre com medo de te deixar cair.

- Obrigada pelo teu cuidado, não tinha pensado nisso. Estava convencida que o teu maior problema era na época do verão e que seria o calor a dificultar-te a vida.

- Boa amiga, estamos a chegar ao fim da entrega e esta última parece que é para uma grande festa.

- Não me digas que é um convite para um casamento?

- sabes amiga eu gosto muito de festas.

- Não me digas que queres casar comigo?

- Não é preciso! nós já somos inseparáveis. Não podemos viver, um sem o outro e somos muito felizes.







Évora, 6 de Março de 2007



Rosa Casquinha






quarta-feira, 19 de setembro de 2007

Darfur



















































É bom que saibamos comtemplar o belo, que sintamos alegria ao admirar uma paisagem deslumbrante. Que desfrutemos a emoção que nos é proporcionada por uma música. Pela leitura de um poema. Pelo riso de uma criança. Pelo desabrochar de uma flor. Que saibamos fruir da beleza de uma pintura . Olhar os outros mesmo que de olhos fechados. E reconhecê-los como irmãos.








Mas temos que manter o coração aberto. Os sentidos bem despertos. Não devemos esquecer, nem permitir que outros esqueçam, que existem outras realidades, menos belas e mais duras. Brutais e injustas mas que fazem parte do mundo em que vivemos. Não podemos ignorá-lo, virar a cara apenas para o lado mais bonito da vida. Porque também existe a fome, a guerra, a maldade e a corrupção. Existe DARFUR, entre muitos outros infernos. Sei que hoje trouxe a este espaço imagens que ninguém gosta de ver. Eu também não. Mas, infelizmente temos que as contemplar porque elas existem. Como seria bom que esta realidade negra não fizesse parte das nossas vidas.













Nota: todas as imagens foram retiradas da internet



Um abraço do tamanho do mundo. Do mundo que eu ainda julgo possível que venha a existir.

terça-feira, 18 de setembro de 2007

Homenagem a todas as crianças, incluíndo as grandes

OUTRA MARGEM


E com um búzio nos olhos claros
Vinham do cais, da outra margem
Vinham do campo e da cidade
Qual a canção? Qual a viagem?

Vinham p'rá escola. Que desejavam?
De face suja, iluminada
Traziam sonhos e pesadelos.
Eram a noite e a madrugada.

Vinham sozinhos com o seu destino.
Ali chegavam, Ali estavam.
Eram já velhos? Eram meninos?
Vinham p'rá escola. O que esperavam?

Vinham de longe. Vinham sózinhos.
Lá da planície. Lá da cidade.
Das casas pobres. Dos bairros tristes.
Vinham p'rá escola: a novidade.
E com uma estrela na mão direita
E os olhos grandes e voz macia
Ali chegaram para aprender
O sonho a vida a poesia.



Maria Rosa Colaço
(1935-2004)








Agora que se iniciou um novo ano lectivo, eu também quis estar presente, participar na festa das crianças do meu País, festa que é o reencontro com os antigos colegas, o fazer novas amizades, aprender coisas diferentes, que ajudam a crescer, a conhecer o mundo, a viver em contacto e em partilha com os outros, numa base de respeito mútuo e de tolerância.

Pensei qual seria a melhor forma, de saudar e de homenagear todas as crianças, e também os seus professores, então lembrei-me deste bonito poema de Maria Rosa Colaço, que foi musicado e cantado pelos Trovante no seu albúm "Baile no Bosque",em 1981.

Porquê Maria Rosa Colaço? Porque sinto uma enorme admiração por ela e pelo seu trabalho, junto dos mais novos. Esta senhora nasceu no Torrão em 1935 e faleceu em 2004. Estudou enfermagem mas o seu maior sonho foi outro. O seu sonho foi a escrita, a poesia e a paixão pelo ensino. Foi uma professora diferente do seu tempo.Marcou o seu tempo, conseguindo captar a amizade, o respeito e a admiração dos seus alunos e de muitas outras pessoas.



Maria Rosa Colaço, trabalhou como jornalista, escreveu muitos textos em diversos jornais e revistas. Mais tarde estudou no Magistério Primário de Évora e formou-se como professora primária, ajudou a formar muitas pessoas que ainda hoje a lembram com saudade e carinho. Viveu em Almada, começando a leccionar em Cacilhas. Tem uma rua com o seu nome no Feijó. Como deve ser bom ser assim recordada pelas crianças, que consigo aprenderam as primeiras letras.


Por acaso, não sei se esta Senhora Professora ainda faz parte dos manuais escolares, dos meus felizmente ainda fez, em conjunto com António Gedeão, Matilde Rosa Araújo, Sebastião da Gama e tantos outros que me acompanharam nos primeiros anos de escola e continuam a acompanhar-me pela vida fora. Deixo aqui o título, de algumas das obras de Maria Rosa Colaço para despertar o vosso apetite, pela sua leitura:


- A Criança e a Vida
- Aventura com Asas
- Maria Tonta como eu
- Viagem com Homem Dentro
- Espanta Pardais
- Não Quero ser Grande




Aqui chegada, eu não poderia deixar de prestar, também a minha homenagem aos professores, que formam os nossos jovens,para um futuro que, todos desejamos radioso e feliz. Para todos os professores, aqui ficam algumas palavras de incentivo, no início deste novo ano escolar. Desejo-vos um bom trabalho e que ele seja reconhecido com o respeito que merece.

domingo, 16 de setembro de 2007

Acordemos as consciências !

" O QUE MAIS PREOCUPA NÃO É O GRITO DOS VIOLENTOS, NEM DOS CORRUPTOS, NEM DOS DESONESTOS, NEM DOS SEM - CARÁCTER, NEM DOS SEM - ÉTICA. O QUE MAIS PREOCUPA É O SILÊNCIO DOS BONS."
MARTIN LUTHER KING

UM ABRAÇO E UM RESTO DE BOM FIM-DE- SEMANA PARA TODOS.

quinta-feira, 13 de setembro de 2007

Saudades





Ai há quanto tempo eu não vejo,


o remexer das ondas do mar,


e as gaivotas que num relampejo,


voam sobre os barcos a remar.


Praia de areia fina, doirada


rochedos altíssimos, musgosos


uma casa muito bem caiada


chaminés de feitios caprichosos.


Quando chega a saudade


assim como agora,


eu desejo com ansiedade


Que chegue a grande hora


de deixar esta cidade


onde me encontro agora.



Nota: Este poema foi escrito nos anos 60, por volta de 1966, como perdi o livro onde o anotei voltou a ser transcrito anos depois, de memória



24 de Setembro de 2006


Rosa Casquinha

Nova colaboração




Dentro de dias este blog vai poder contar com a colaboração de uma amiga, ela chama-se Rosa Casquinha e prefere assinar os seus textos com o seu nome real.Irá ficar mais rico este nosso cantinho, os textos da Rosa serão postados por mim.


SEJA BEM-VINDA ROSINHA.



sexta-feira, 7 de setembro de 2007

Baú de recordações 3 - [A ] Balada dos embalados

Como um amigo da blogosfera me disse estar à espera de mais recordações do meu baú aqui deixo mais uma, publicada numa revista de uma associação de estudantes, em 1986. Espero que compreendam que grande parte delas já tem uns bons anos, estão muito datadas, quer no tempo em que foram escritas, quer na vivência agitada da época, embora eu considere que, em vários sentidos infelizmente elas continuem actuais.



Uns vão bem acomodados
numa chique carruagem.
Vão em papéis vistosos,
cheios de laços e fitas
vão todos muito vaidosos
das suas imagens bonitas.
Outros viajam muito mal
nesta vida de viagem,
vão embalados em jornal
a servir de roupagem.
Os seus laços e fitas
são uns simples atilhos,
que atam as suas vidas
aos mais duros trilhos.
Nesta vida de viagem
uns vão bem arrumados
outros ficam à margem
com os sonhos adiados.
Évora, Outubro de 1981
P`la paginadora
Um abraço do tamanho do mundo.