sexta-feira, 6 de março de 2009

AOS AMIGOS PRÓXIMOS E DISTANTES

retirada da Internet

"Nada, jamais, substituirá um companheiro perdido. Ninguém pode recriar velhos companheiros. Nada vale o tesouro de tantas recordações comuns, de tantas horas más vividas juntos, de tantas desavenças, de tantas reconciliações, de tantos impulsos afetivos. Não se reconstroem essas amizades. Seria inútil plantar um carvalho, na esperança de ter, em breve, o abrigo de suas folhas. Assim vai a vida. A princípio enriquecemos. Plantamos durante anos, mas os anos chegam em que o tempo destrói esse trabalho, arranca essas árvores. Um a um, os companheiros nos tiram suas sombras. E aos nossos lutos mistura-se então a mágoa secreta de envelhecer..."

Antoine de Saint-Exupéry in Terra dos Homens


retirada da Internet

A saudade dói. Flores para os meus amigos próximos e ausentes.

Um abraço.

quarta-feira, 4 de março de 2009

Lágrimas ocultas


Se me ponho a cismar em outras eras
Em que ri e cantei, em que era querida,

Parece-me que foi noutras esferas,
Parece-me que foi numa outra vida...
...
E a minha triste boca dolorida,
Que dantes tinha o rir das primaveras,
Esbate as linhas graves e severas
E cai num abandono de esquecida!
...
E fico, pensativa, olhando o vago...
Toma a brandura plácida dum lago
O meu rosto de monja de marfim...
...
E as lágrimas que choro, branca e calma,
Ninguém as vê brotar dentro da alma!
Ninguém as vê cair dentro de mim!

Florbela Espanca


segunda-feira, 2 de março de 2009

Mia Couto

Hoje deixo-vos com Mia Couto, mais um dos meus poetas do coração...

Poema da despedida
0
Não saberei nunca
dizer adeus
0
Afinal,
só os mortos sabem morrer
0
Resta ainda tudo,
só nós não podemos ser
0
Talvez o amor,
neste tempo, seja ainda cedo
0
Não é este sossego
que eu queria,
este exílio de tudo,
esta solidão de todos
0
Agora
não resta de mim
o que seja meu
e quando tento
o magro invento de um sonho
todo o inferno me vem à boca
0
Nenhuma palavra
alcança o mundo, eu sei
Ainda assim,
escrevo
0
Mia Couto, Abril 1984

domingo, 1 de março de 2009

Malhar !!!

Existe um "tipo" em Portugal que gosta muito de malhar.

Sente-se muito bem a malhar à esquerda e à direita.

A malhar em sujeitos e sujeitas que ousem criticar o seu ídolo, que ousem sequer esboçar uma ideia que seja divergente do rumo que o seu amo sonhou para o país.

Não ousem criticar, dizer mal, pôr em causa as opções tomadas pelo grupo de "iluminados" que nos governa, senão ele chega e malha a torto e a direito.

Malha, malha e malha sem parar...

E nós humilde povo?

Quando é que começamos a malhar em todos os sujeitos e sujeitas que nos andam a enganar, a roubar e ainda por cima gritam aos sete ventos que gostam de nos malhar?

Um bom malho serão as eleições que se avizinham, a melhor altura para mostrar que estamos fartos de sujeitos trauliteiros, arrogantes e autistas.

A melhor altura para mostrar que não somos um país de bandalhos, que resignados segue a corte à espera das migalhas que nos queiram lançar como engodo.

Fazê-los pagar caro a falta de decoro e de respeito que têm, por todos os que neles depositaram confiança, isso sim será uma boa MALHA ...

Um abraço

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

ANO NOVO VIDA VELHA?

Um Novo Ano começou e com ele a esperança de melhores dias...
Será? Não me parece.
A não ser que todos os portugueses se unam e gritem bem alto:

- ANO NOVO VIDA NOVA, POLÍTICA VELHA PARA A RUA JÁ!

Um abraço

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

A paz sem vencedor e sem vencidos




Dai-nos Senhor a paz que vos pedimos

A paz sem vencedor e sem vencidos

Que o tempo que nos deste seja um novo

Recomeço de esperança e de justiça

Dai-nos Senhor a paz que vos pedimos


A paz sem vencedor e sem vencidos


Erguei o nosso ser à transparência

Para podermos ler melhor a vida

Para entendermos vosso mandamento

Para que venha a nós o vosso reino

Dai-nos Senhor a paz que vos pedimos


A paz sem vencedor e sem vencidos


Fazei Senhor que a paz seja de todos

Dai-nos a paz que nasce da verdade

Dai-nos a paz que nasce da justiça

Dai-nos a paz chamada liberdade

Dai-nos Senhor a paz que vos pedimos


A paz sem vencedor e sem vencidos

Sophia de Mello Breyner Andresen in Cem Poemas de Sophia
.........................................................................................


BOM ANO NOVO PARA TODOS

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

ESTOU DE VOLTA

QUERIDOS AMIGO(A)S


ESTOU DE NOVO CONVOSCO.
INICIALMENTE AINDA A MEIO GÁS. QUERO AGRADECER A TODO(A)S O IMENSO CARINHO DEMONSTRADO E AS PALAVRAS AMIGAS QUE ME FORAM CHEGANDO.

OBRIGADO DE TODO O CORAÇÃO!

DEIXO-VOS COM UM ABRAÇO DO TAMANHO DO MUNDO E A PROMESSA DE UMA VISITA, A TODOS LOGO QUE POSSÍVEL ... MUITO EM BREVE.

sábado, 20 de setembro de 2008

FLÁVIA VIVENDO EM COMA

Espero que a Flavinha e a Odele me perdoem mas por motivo de força maior não me foi de todo possível honrar o compromisso de publicar o post da Blogagem colectiva"Justiça para Flávia", no dia 15 do corrente mês. As minhas sinceras desculpas às duas. Mas, mesmo tardiamente e já fora do contexto pretendido não quero deixar de salientar que estou de alma e coração com a Flávia e que espero que a justiça, neste caso não seja, uma vez mais nem cega nem surda. Que haja finalmente JUSTIÇA PARA FLÁVIA!!!
Um grande abraço para a Flavinha e a Odele

"Meu nome é Sara"

Este anúncio foi premiado internacionalmente, mas não passou na nossa televisão, em Portugal. Porque será?
Recordo o poema da criança de 3 anos, 'Meu nome é Sara'.



O meu nome é ''Sara''
Tenho 3 anos
Os meus olhos estão inchados,
Não consigo ver.

Eu devo ser estúpida,
Eu devo ser má,
O que mais poderia

pôr o meu pai em tal estado?

Eu gostaria de ser melhor,
Gostaria de ser menos feia.
Então, talvez a minha mãe

me viesse sempre dar miminhos.

Eu não posso falar,
Eu não posso fazer asneiras,
Senão fico trancada todo o dia.

Quando eu acordo estou sozinha,
A casa está escura,
Os meus pais não estão em casa.

Quando a minha mãe chega,
Eu tento ser amável,
Senão eu talvez levaria
Uma chicotada à noite.

Não faças barulho!
Acabo de ouvir um carro,
O meu pai chega do bar do Carlos.

Ouço-o dizer palavrões.
Ele chama-me.
Eu aperto-me contra o muro.

Tento-me esconder dos seus olhos demoníacos.
Tenho tanto medo agora,
Começo a chorar.

Ele encontra-me a chorar,
Ele atira-me com palavras más,
Ele diz que a culpa é minha, que ele sofra no trabalho.

Ele esbofeteia-me e bate-me,
E berra comigo ainda mais,
Eu liberto-me finalmente e corro até à porta.

Ele já a trancou.
Eu enrolo-me toda em bola,
Ele agarra em mim e lança-me contra o muro.

Eu caio no chão com os meus ossos quase partidos,
E o meu dia continua com horríveis
palavras...

'Eu lamento muito!', eu grito
Mas já é tarde de mais
O seu rosto tornou-se num ódio inimaginável.

O mal e as feridas mais e mais,
'Meu Deus por favor, tenha piedade!
Faz com que isto acabe por favor!'
E finalmente ele pára, e vai para a porta,

Enquanto eu fico deitada,
Imóvel no chão.

O meu nome é 'Sara'
Tenho 3 anos,
Esta noite o meu pai *matou-me*.




Existem milhões de crianças que assim como a 'Sara' são mortos, vítimas de maus tratos, de abusos de toda a ordem.Tu podes ajudá-los. Fico desiludida até ao mais profundo de mim se tu leres isto e não o fizeres passar. Se ficaste sensibilizada(o), faz qualquer coisa!!!
Tudo o que eu te peço, é que o divulgues e ajuda a reconhecer que estas coisas acontecem, e que pessoas como o pai da 'Sara' vivem na nossa sociedade. Faz passar este poema porque mesmo se isto parece doido pode talvez mudar indirectamente as nossas vidas.

Hey, nunca se sabe...

Por favor faz passar isto se fores contra o abuso das crianças.

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Uma fábula... dos nossos tempos!

A TESE DO COELHO
0
0
Estava um dia lindo e ensolarado quando um coelho saiu de sua toca com o seu notebook e pôs-se a trabalhar, muito concentrado. Pouco depois passou por ali uma raposa e ao ver aquele suculento coelhinho, tão distraído, começou a salivar. No entanto, ficou intrigada com a atividade do coelho e aproximou-se dele, curiosa:
0
- Coelhinho, o que estás a fazer aí, tão concentrado?
0
- Estou a redigir a minha tese de doutoramento - disse o coelho, sem tirar os olhos do trabalho.
0
- Hummmm... e qual é o tema da sua tese?
0
- Ah, é uma teoria provando que os coelhos são os verdadeiros predadores naturais das raposas.
0
A raposa ficou indignada:
0
- Ora!!! Isso é ridículo!!! Nós é que somos os predadores dos coelhos!
0
- Absolutamente! Venha comigo à minha toca que eu mostro-lhe a minha prova experimental.
0
O coelho e a raposa entraram na toca. Poucos instantes depois ouvem-se alguns ruídos indecifráveis, alguns poucos grunhidos e depois... silêncio.
Em seguida, o coelho volta, sozinho, e mais uma vez retoma o seu trabalhos de tese, como se nada tivesse acontecido.
Meia hora depois passa um lobo. Ao ver o apetitoso coelhinho, tão distraído agradece mentalmente à cadeia alimentar por estar com o seu jantar garantido. No entanto, o lobo também acha muito curioso um coelho trabalhando com toda aquela concentração. O lobo resolve então saber do que se trata aquilo tudo, antes de devorar o coelhinho:
0
- Olá, jovem coelhinho! O que o faz trabalhar tão arduamente?
0
- É a minha tese de doutoramento, lobo. É sobre uma teoria que venho desenvolvendo há algum tempo e que prova que nós, coelhos, somos os grandes predadores naturais de vários animais carnívoros, inclusive dos lobos.
0
O lobo não se conteve e dá uma risada com a petulância do coelho.
0
- Ah, ah, ah, ah!!! Coelhinho! Apetitoso coelhinho! Isto é um despropósito. Nós, os lobos, é que somos os genuínos predadores naturais dos coelhos. Aliás, chega de conversa...
0
- Desculpe-me, mas se você quiser eu posso apresentar a minha prova experimental. Você gostaria de acompanhar-me à minha toca?
0
O lobo não consegue acreditar na sua boa sorte.Ambos desaparecem toca adentro. Alguns instantes depois ouvem-se uivos desesperados, ruídos de mastigação e ... silêncio.
Mais uma vez o coelho retorna sozinho, impassível, e volta ao trabalho de redacção da sua tese, como se nada tivesse acontecido.
Dentro da toca do coelho vê-se uma enorme pilha de ossos ensangüentados e peles de diversas ex-raposas e, ao lado desta, outra pilha ainda maior de ossos e restos mortais daquilo que um dia foram lobos. Ao centro das duas pilhas de ossos, um enorme leão, satisfeito, bem alimentado, a palitar os dentes.
0
MORAL DA HISTÓRIA:
0
1. Não importa quão absurdo é o tema da sua tese;
2. Não importa se você não tem o mínimo fundamento científico;
3. Não importa se as suas experiências nunca chegam a provar a sua teoria;
4. Não importa nem mesmo se as suas idéias vão contra o mais óbvio dos conceitos lógicos...
5. O que importa mesmo é QUEM É O SEU PADRINHO!
0
Isto aplica-se, infelizmente a todos os níveis da nossa vida actual, onde não vencem os melhores mas sim os mais astutos, desde que tenham as costas quentes porque, lá diz o velho ditado:
- Quem tem padrinhos não morre mouro.
0
Um abraço