sexta-feira, 7 de setembro de 2007

Baú de recordações 3 - [A ] Balada dos embalados

Como um amigo da blogosfera me disse estar à espera de mais recordações do meu baú aqui deixo mais uma, publicada numa revista de uma associação de estudantes, em 1986. Espero que compreendam que grande parte delas já tem uns bons anos, estão muito datadas, quer no tempo em que foram escritas, quer na vivência agitada da época, embora eu considere que, em vários sentidos infelizmente elas continuem actuais.



Uns vão bem acomodados
numa chique carruagem.
Vão em papéis vistosos,
cheios de laços e fitas
vão todos muito vaidosos
das suas imagens bonitas.
Outros viajam muito mal
nesta vida de viagem,
vão embalados em jornal
a servir de roupagem.
Os seus laços e fitas
são uns simples atilhos,
que atam as suas vidas
aos mais duros trilhos.
Nesta vida de viagem
uns vão bem arrumados
outros ficam à margem
com os sonhos adiados.
Évora, Outubro de 1981
P`la paginadora
Um abraço do tamanho do mundo.

quarta-feira, 5 de setembro de 2007

ROSA PLANTA

Hoje à tarde encontrei uma amiga, sentámo-nos um pouco numa esplanada a conversar após mais um dia de trabalho, num dia de calor intenso e sufocante. Num dia, como tantos outros, em que a planície alentejana aqueceu bem as suas gentes. Mas hoje a conversa com a minha amiga deixou-me emocionada. Ela chama-se Rosa, é uma mulher que gosta de escrever, de pintar e de fotografar. Já nos conhecemos à muitos anos, a sua faceta artística há muito que me é familiar. Mas hoje o que a Rosa me contou, que eu obviamente não vou aqui revelar, deixou-me muito sensibilizada. Hoje revelou perante mim uma faceta da sua personalidade que eu desconhecia. Uma faceta de entrega, de sensibilidade, de carinho e amor pelo próximo, daquele próximo que está mesmo ali ao lado, ao alcance da nossa mão, pronto para receber atenção, carinho e uma palavra de incentivo, que muitas vezes salva vidas, ajuda a recuperar de momentos difíceis e dá um sentido novo à existência de quem nada tendo, de repente ganha um amigo/a, ganha o mundo. O texto poético que hoje aqui deixo foi escrito pela Rosa, que mo enviou à uns tempos atrás e que eu publico, com a sua autorização. Obrigada Rosa por ser quem é, de ser como é!



ROSA PLANTA



"Adormecer e vaguear o pensamento em sonhos tão convictos, que mais parecem reais. O estado do sono é como a árvore que está presa ao mesmo lugar pelas suas raízes. Soltam-se as folhas levadas pelo vento, como o pensamento voando para outro lugar. E como se elas soubessem do dia e da hora , florescem todos os anos naquele dia.


Dá os frutos na mesma altura, e na mesma altura deixa voar as folhas como que a libertar-se. As folhas são levadas pelo vento como mensagens coloridas, por vezes colhidas e guardadas em qualquer página de um livro, como que perpetuando o seu estado de folha seca como se de uma fotografia se tratasse.


Ficam as memórias ténues enevoadas, que ao acordar lembram algo parecido ao real mas pouco explicito. É o contacto com a realidade, o sonho e a fantasia. Acordar para o dia-a-dia, com a esperança e o optimismo de um futuro melhor."


Rosa Casquinha



Hoje a paginadora envia um abraço para todos os amigos, os mais antigos e os mais recentes, os que estão perto e os que estão mais distantes, mas todos sempre presentes no seu coração. Envia um beijo especial para um grande amigo que se encontra em Madrid.
Até breve R.

domingo, 2 de setembro de 2007

Nós e os outros



Quando amamos os outros, sentimo-nos livres.
Quando os outros nos amam, sentimo-nos presos
à magia de simplesmente existirmos.
Quando os outros precisam de nós só precisamos de dizer AQUI ESTOU!
Um abraço

À Minha Avó Maria


Sei que o mundo é mesmo assim.
Egoísta, fechado sobre si mesmo, cego e surdo ao que não lhe convém ver nem ouvir.
Claro que há excepções. Pois há, como tudo na vida.
Como dizia a minha querida avó quando eu me irritava com as injustiças que via à minha volta - " ... sei que sofres filha mas, desde que o mundo é mundo que há diferenças, enquanto riem uns outros choram, enquanto uns se empaturram outros passam fome, frio, sofrem. Quem está bem esquece-se de olhar para o lado, estender uma mão com um pedaço de pão ou uma laranja para um pedinte ou para uma criança com fome. Eu nunca fui assim, mas existem pessoas que ignoram todos aqueles que lhe batem à porta, eu não tenho nada mas sempre procuro ver, no fundo de uma arca ou de um armário se encontro qualquer coisinha. Se nada encontro para lhes dar que lhes mate a fome ou o frio, partilho com eles um sorriso triste ou uma lágrima furtiva. Da minha porta ninguém sai com as mãos a abanar.".


Pois não avó, disso eu sempre fui testemunha. Sempre foste uma mulher excepcional. Trabalhaste desde criança, apanhaste chuva, frio e um sol inclemente pelos campos deste nosso Alentejo que tanto amaste, que eu tanto amo, Nunca tiveste tempo para ir à escola aprender a ler e como a maioria das mulheres da tua época tiveste os filhos em casa, pondo a tua vida e a deles em risco.Também eles tiveram que começar a trabalhar muito cedo, fazendo com que os teus olhos se turvassem de tristeza.


Sempre foste uma mulher corajosa, que arregaçava as mangas para ombrear com o seu homem, no arranjo do sustento para si e para os filhos. À medida que os netos começaram a chegar tu crescias desmedidamente, inchada de ternura e de amor. A melhor recordação que tenho de ti? Tantas!


A mais importante é a lembrança do teu sorriso, não um sorriso qualquer mas sim um sorriso que começava nos lábios, inundava o teu rosto de luz e tomava posse dos teus olhos. Sim, quando sorrias os teus olhos castanhos cor-de-mel sorriam, como eu nunca vira mais nenhuns sorrirem. Tenho saudades tuas, sabes isso. Tenho saudades do teu abraço, do refúgio no teu regaço quente, do cheiro a leite, mel e flores frescas que aspirava da tua pele. Sei que estás bem. E sei igualmente que embora cruel, egoísta e perigoso o mundo em que vivo também tem coisas boas, porque albergou no seu seio pessoas como tu querida avó. Fazes-me tanta falta...

Para ti nem todos os beijos e abraços são suficientes, recebe apenas aqueles que puderes.



segunda-feira, 27 de agosto de 2007

Lisboa, 12 de Janeiro 1977

Cinco versos dum poema
Cinco tons duma paisagem
Cinco fracções dum teorema
Cinco dedos de mensagem
Cinco sentidos em vela
à janela do meu corpo
Cinco pétalas dum mal-
mequer que muito bem te quis
Cinco quinas dum país
que sete castelos tem
cada qual com seu condado
um para cada morgado
ou cada filho da mãe

Lopes Morgado in Canto de Sol e Sal - Diário do meu país -
Abril 1983

domingo, 26 de agosto de 2007

REZA

por esta gente que sua que corre atravessa a rua e não sabe que ela é sua por esta gente que lê a morte que passa ao norte e não sonha que é suporte da vida para essa morte por esta gente que ri em morangos de alegria e nem sabe que harmonia é outro fruto outro dia outro sangue outra sangria por esta gente gravata que não desata nem ata ouve discursos de lata e os toma por boa prata por este escravo rebanho que teme em baba e em ranho deixa o redil sem amanho e longe vai ser estranho vendendo o nome e o tamanho por este povo que cai sem um ui ou sem um ai sem um ó ou dó de si e corre de festa em festa a fazer hara-kiri por esta gente que eu sou nunca mais ave no voo nunca mais graal que sonhou por esta gente sem suco sacada de saco roto partilha parto e aborto vinha de vinho sem mosto.
- venha a morte verdadeira gelar-nos rezas no rosto.

Eduardo Olímpio in Às Cavalitas do Tempo
Mini-Crónicas Maio de 1974

sábado, 25 de agosto de 2007

EPC versus Torga

Hoje faleceu Eduardo Prado Coelho, que eu reconheço como um grande ensaísta.
Mas fiquei abismada, não querendo acreditar no que estava a ver e a ouvir.
Não está em causa a obra intelectual deixada por EPC, a sua forma de ver os outros, a vida, o mundo que nos rodeia. Morreu um ser humano, conhecido por grande parte dos portugueses e isso basta para que nos sintamos de luto pela perda de mais um vulto da cultura portuguesa.
O que me indigna e revolta é o acorrer apressado da ministra da cultura e do primeiro-ministro a enaltecer as qualidadades de EPC, sentindo-se tristes por tão grande perda mas esquecendo-se que não apareceram nem deram sequer uma palavra aquando da homenagem pelo centenário do nascimento de MIGUEL TORGA.
Será que EPC é considerado pelo governo como cidadão de primeira e que Torga foi esquecido no centenário do seu nascimento pelo governo por o considerarem cidadão de segunda? Eu estou atenta a estas particularidades e penso que os portugueses também devem estar. Torga não vergou perante o estado novo o que lhe valeu ter estado preso em Aljube; como um dos fundadores do PS não gostou do rumo que o partido começava a tomar poucos anos após a revolução e cedo se demarcou da política, tendo tido durante o resto da sua vida uma grande desconfiança em relação a ela e um grande desencanto perante os seus colegas de partido.
O tempo veio a dar-lhe razão: o socialismo do PS desde há muito que foi metido na gaveta, previligiando-se as grandes empresas multinacionais, os grandes banqueiros, os países apenas interessados nos seus interesses económicos. Mas talvez mais tarde ainda venham a ser penalizados por isso! há vozes discordantes no seio do partido que já começam a tomar posição mas que ao invés de sussurrarem devem dizer bem alto aquilo que pensam.Manuel Alegre já começou, mas não pode ficar por aí. Deve isso aos portugueses que lhe deram um milhão de votos, deve isso a si mesmo como homem da cultura e como homem amante da liberdade que sempre disse ser.
Outra coisa que eu tenho a perguntar é: Será que Miguel Torga gostaria de se ver equiparado a Joe Berardo, na questão do lançamento dos selos comemorativos, dedicados a ambos?Tenho a certeza que Torga prescindiria dessa homenagem, pois como homem simples do povo que sempre foi, vertical e insubmisso não era dado a grandes honrarias.
Quem é Joe Berardo?
o que é que Berardo fez pelo país ou pela cultura portuguesa?
Eu confesso que não sei. Tristes tempos estes que a cultura só é bem vista se for elitista. Mas o que é isto? " É a cultura estúpida! A cultura que este país agora tem, a cultura que se calhar merece... ou talvez não.
Um abraço

quinta-feira, 23 de agosto de 2007

Para recordar


Imagem enviada por amigos via mail


AINDA SE LEMBRAM DO DESERTO? DO TGV? DAQUELE SENHOR ANAFADO E MÍOPE QUE SÓ VIA AREIA?
MAS OS ALENTEJANOS NÃO SÃO OS CAMELOS!

PARA QUE CONSTE E NÃO SE APAGUE A MEMÓRIA.

quarta-feira, 22 de agosto de 2007

E agora boa noite



Pssiu que agora vou dormir.
Um abraço do tamanho do mundo

sexta-feira, 17 de agosto de 2007

Sejam Bem-vindos
















Mapa da cidade









Praça do Geraldo








Fonte Henriquina situada
na Praça Grande ou do Giraldo











Entrada da Sé de Évora












Igreja dos Meninos da Graça











Campo nos arredores da cidade














Vista aérea da cidade





Hoje deixo-vos algumas imagens da minha cidade, para quem ainda a não conheça ficar com vontade de o fazer. Para aqueles que já a conhecem a recordem e fiquem com vontade de cá voltar.
Um abraço do tamanho do mundo